A NR-1 não é novidade para quem atua com SST. O que mudou, e continua mudando, é o nível de exigência sobre a rastreabilidade. Hoje a empresa precisa demonstrar, de forma clara e consistente, como identifica perigos, avalia riscos, define controles, implementa, monitora e revisa quando a operação muda. Esse ciclo conta com o GRO (Gerenciamento de Riscos Ocupacionais) e o PGR, que é o conjunto de documentos que registra o inventário de riscos e o plano de ação.
Na prática, isso afetou diretamente a gestão de EPIs porque dizer qual EPI deixou de ser uma anotação genérica e passou a ser uma medida de controle que precisa contemplar: qual risco foi identificado, por que o EPI escolhido é adequado, como a empresa garante uso efetivo e qual evidência comprova isso.
O GRO não é um documento estático, mas um sistema dinâmico que deve ser revisado sempre que houver mudanças no ambiente de trabalho
No GRO, a lógica é sempre a mesma:
- Perigos: o que pode causar lesão/adoecimento
- Riscos: nível do risco considerando exposição
- Medidas de prevenção: priorizando a hierarquia de controles (eliminar/adequar/substituir, medidas de engenharia/EPC, administrativas e, por fim, EPI)
- Monitoramento e revisão: sempre que houver alteração de processo, layout, materiais, ritmo, turnos, incidentes, queixas, etc.
O que se deve prestar atenção é quanto ao atendimento no PGR, cada medida precisa estar conectada a um risco real e gerar evidência rastreável (não apenas intenção).
E qual a relação da NR-1 com a NR-6?
A NR-6 estabelece requisitos para aprovação/comercialização, fornecimento e utilização de EPI, com deveres da organização, trabalhadores, fabricantes/importadores.Na prática do PGR, isso significa que, quando o EPI aparece como medida de controle, a empresa precisa conseguir responder (e comprovar):
- Qual EPI exatamente. (modelo/linha)
- CA e documentação disponível (ficha/instruções)
- Critério de seleção: por risco e tarefa, de acordo com a Norma Regulamentadora (e não por preferência ou estoque)
- Compatibilidade entre EPIs: óculos com concha, capacete com jugular, protetor facial com óculos, etc. (compatibilidade é um dos maiores motivos de não adesão)
- Gestão de uso: entrega, orientação/treinamento, exigência de uso, reposição e higienização/manutenção quando aplicável
Quando essas informações são definidas com clareza e eficiência, a empresa se respalda de passivos e punição por eventual auditoria.
O que muda para quem fornece EPI (e como isso vira vantagem para o cliente)?
Com o PGR exigindo maior controle e rastreabilidade, o fornecedor deixa de ser apenas compra e passa a fazer parte da cadeia de evidências que sustentam a conformidade do cliente.
O que o técnico valoriza hoje (e reduz retrabalho):
- Documentação pronta e rápida (CA, fichas, instruções)
- Orientação prática de uso correto (vedação, compatibilidade, limpeza/armazenamento)
- Suporte na seleção do conjunto de EPIs (não só item isolado)
Quando esse processo é bem feito, o EPI deixa de ser custo de prateleira e vira controle que funciona no mundo real.
Checklist curto para não correr o risco de falhar na auditoria com EPI como medida de controle
Preparamos o checklist abaixo para seguir como orientação para o acompanhamento na sua operação, para que você não deixe passar etapas importantes estipuladas na NR-1 e NR-6. Aproveite:
- Risco descrito no inventário: agente, fonte, tarefa, exposição
- Medidas anteriores ao EPI (hierarquia de controles): EPC/engenharia/administrativas registradas quando aplicável
- EPI selecionado com critério: modelo/linha, CA válido, compatibilidade com a tarefa e outros EPIs
- Gestão do EPI: orientação/treinamento, entrega, exigência de uso, inspeção, reposição e higienização/manutenção quando aplicável
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